RECOMEÇAR

Recomeçar é estar ferido e suportar; é estar cansado e continuar!

FLORESCIMENTO

O entendimento e a aceitação da capacidade em si direciona a um novo modo de ver a vida, o mundo e a nós mesmos.

AME-SE

Crônica publicada na Revista Ser Espírita.

CHICO XAVIER - TRAÇOS BIOGRÁFICOS

O sonho de todo médium é aproximar-se de sua obra!

O TEMPO E A ETERNIDADE

Não deixemos que o mal uso do tempo presente determine uma eternidade dolorosa.

18 de janeiro de 2018

O Lótus do Ser



Todas as criações divinas buscam uma forma de nascer, crescer, multiplicar e fenecer, dada ser essa a lei universal que as possibilitou existir. Nenhum Ser é insignificante ao misterioso plano maior ao qual todos estão sujeitos, ainda que não se possa ler as letras miúdas.

Cada desabrochar, cada gota que cai, a cada partida, e a cada abrir de olhos há o processamento de um equilíbrio que a percepção não consegue mensurar. Muitos mitos, histórias e avatares são enviados a fim de demonstrar que é possível escolher, porém também há que se responsabilizar pelas escolhas efetuadas. Ainda que se fuja de quaisquer viés religioso ou científico, estamos, indubitavelmente, atados aos liames morais, traduzidos e explicitados pelo viés filosófico, pois somente esse nos coloca diante de nós mesmos.

O confronto possibilita quebra de paradigmas, e a construção de um novo Ser. Aquele com consciência, não somente do mundo que habita, mas da determinação de seu papel ante à realidade que vivência. Entende-se que o confrontar não mais é de ideias e conceitos, porém, é de sentimentos. Esses que não se restringem as relações com o outro, mas consigo. Com o olhar-se, o compreender-se, e enfim o apaziguar-se.

Um confronto semelhante é empreendido pelo lótus, posto a germinar no lodo. Pela rápida observação, lá nada poderia nascer, visto ser feio, fétido e impróprio para habitação. Entretanto, a ciência nos traz à luz, que a degradação dos dejetos ali depositados tornam-se o adubo necessário ao florescimento da mais linda flor.

O esforço desse vegetal para florescer serve-nos de exemplo. E pode-se compreender que resiliência, mais que se adaptar, é aproveitar qualquer condição na qual se encontra, e lá tornar-se melhor.

Todas as manhãs o lótus exibe sua exuberante flor. Essa que floresce das profundezas do seu Ser, sem demonstrar o processo que a tornou quem é. Ainda que seja de conhecimento público as condições de sua habitação, todos ovacionam sua delicada e estonteante beleza.

Francy Rocha

6 de janeiro de 2018

As Rosas

As rosas

São delicadas
São perfumadas
São singelas

Despertam amor
Despertam paixão
Despertam gratidão

Ainda que murchem permanecem

Perfumando
Despertando
Amando

As rosas são delicadas até em desfolhar

As pétalas caem
As pétalas dispersam
As pétalas perfumam onde chegam

Há quem as guarde num livro
Há quem as coloque num vaso
Há quem cuide para novamente brotar

As rosas são eternas em despertar o que de melhor há.

Francy Rocha

3 de janeiro de 2018

Perder


Tanto foi depositado
Em tão pouca disposição.

Tanta eloquência com palavras
Em tão pouca profundidade de significado.

Tanta energia despendida
Em tão pouco esforço em manter.

Tanta engenhosidade de convencer
Em tão pouca vontade de ser você.

Tanta necessidade disfarçada de querer
Em tão pouca utilidade a disposição.

Tanta determinação em ter
Em tão pouca veracidade de ser.

Tanta esperança em ganhar
Em tão pouco a se perder.

Francy Rocha

22 de dezembro de 2017

O ponto





Desejado por todos
Querido por alguns
Usado por poucos

Não é apenas um ponto.
Significa muito em tão pouca tinta.
Uns querem usá-lo como desculpa, porém seriam mais felizes com a vírgula.

Muitos planejam que seja o final, mas não conseguem e sempre vão em seguida.
Há aqueles que usam a reticências acreditando que não precisam de um final.
Outros preferem seguir sequenciando a vida com um ponto e vírgula, querendo recomeçar.

Dentre tantas opções nos resta apenas descobrir qual ponto nos alimenta.

22 de novembro de 2017

A Sabedoria da espera

"O náufrago não pode nadar com bagagem"
Sêneca, em Aprendendo a viver


Certa vez ouvi uma frase que dizia: "só saberemos se tivemos sucesso na vida, quando chegarmos ao final dela". Platão em sua obra Fédon, nos alerta para a busca da sabedoria, falando que somente conheceremos a "verdade" após a morte, quando nossa alma estiver liberta dos empecilhos que vedam alcançar a sabedoria.

Após a leitura dessa obra me dispus a refletir sobre o porque da necessidade de estar em um corpo se o que nos elevará não pertence à ele. E profundamente, pensei como poderemos alcançar essa sabedoria ainda atados ao corpo, visto ser necessária essa coexistência.

Hoje conservo a certeza de somente poder aproximarmo-nos, ainda que lentamente, da sabedoria, é deixando na carne o que à carne pertence; é batalhando na emoção o que corresponde à emoção.

Não se pode compreender a existência da dor se dela não experimentarmos. Cada momento em que se experiencia tormentos e turbulências, é preciso observar a necessidade e intensidade de tudo que ocorre, e como isso pode nos elevar um milímetro que seja.

Entendendo que a alma empreende uma eterna jornada em busca de aprimoramento, não somos quem acreditamos ser. Devemos nos olhar com olhos de verdade e piedade. Assim compreendendo que somos limitados e não evoluídos. Que muito se precisa silenciar a fim de ouvir o que habita em nosso ser.

A longa caminhada que trilhamos nos permitiu carregar conosco aquilo que mais se assemelha à nosso estado de espírito, e por tempos levamos junto à nós julgando ser a "segunda pele". Entretanto, hoje temos a oportunidade de abstrair o que não faz parte da essência do ser, e assim lapidar a pedra bruta que somos.

Para que a lapidação seja eficaz é preciso saber esperar o tempo dos acontecimentos. Nenhum maquinário funciona sem a programação correta, e ainda assim, precisamos aguardar o findar do ciclo para novos ajustes.

Assim somos nós, seres humanos em processo constante de ajustes para melhor seguir. Ainda que não se perceba é preciso organizar a jornada e as prioridades, visando sempre a melhor experiência ao longo da jornada. 

E chegaremos tão mais harmoniosos ao nosso objetivo, que o simples chegar ao final não é tão significativo quando a caminhada até ele.

13 de novembro de 2017

Perdão e Libertação

Todos os sofrimentos nos causam dilacerações profundas, que perdurarão pelo tempo que forem alimentados. Todo o momento que revivemos a causa da dor provocada, é uma forma de aprofundar  o que não precisa continuar.

Viver é um fardo bem difícil e pesado, e não é qualquer pessoa que consegue viver com leveza, e conviver com tranquilidade, a fim de aproveitar tudo que é necessário aprender.

Inevitavelmente, enfrentaremos situações adversas, e que significarão a melhora que tanto se necessita. Essa vivência transfigurada em aprendizado nos permite crescer a cada experiência.

O viver é uma grande jornada empreendida no nascimento, e finalizada no falecimento corporal. Esse instante de separação denota não a purificação instantânea, mas sim a possibilidade de compreender os passos dados durante a caminhada.

A separação não é uma forma de classificar ou reclassificar segundo as próprias categorias. Porém de exemplificar tudo que foi verdadeiramente possibilitado. No instante, desse enxergar a obra empreendida nos permite observar e avaliar o que precisa ser perdoado.

Compreender que por diversas situações também necessitamos de perdão. Por vezes acreditamos que somente nós precisamos perdoar, olhando apenas pelo ângulo da própria dor. E, conservando um sentimento de superioridade ante as limitações do outro, e qualquer reação é plenamente justificada, uma vez que fui eu, a pessoa ferida. Logo, preciso perdoar, tal qual um ato de misericórdia.

Contraditoriamente, o perdão sincero não precisa ser verbalizado, pois ele acontece na intimidade do ser. Ocorre no reconhecimento de minha parcela de culpa, e também pedir perdão. Esse reconhecimento nos permite viver tranquilamente, e aguardar o momento adequado para que o diálogo seja fraterno e sincero.

Perdoar é libertar-se do sentimento de indignação e insatisfação ante os aprendizados da vida. Perdoar dói, porque dói reconhecer a própria da culpa.