22 de novembro de 2017

A Sabedoria da espera

"O náufrago não pode nadar com bagagem"
Sêneca, em Aprendendo a viver


Certa vez ouvi uma frase que dizia: "só saberemos se tivemos sucesso na vida, quando chegarmos ao final dela". Platão em sua obra Fédon, nos alerta para a busca da sabedoria, falando que somente conheceremos a "verdade" após a morte, quando nossa alma estiver liberta dos empecilhos que vedam alcançar a sabedoria.

Após a leitura dessa obra me dispus a refletir sobre o porque da necessidade de estar em um corpo se o que nos elevará não pertence à ele. E profundamente, pensei como poderemos alcançar essa sabedoria ainda atados ao corpo, visto ser necessária essa coexistência.

Hoje conservo a certeza de somente poder aproximarmo-nos, ainda que lentamente, da sabedoria, é deixando na carne o que à carne pertence; é batalhando na emoção o que corresponde à emoção.

Não se pode compreender a existência da dor se dela não experimentarmos. Cada momento em que se experiencia tormentos e turbulências, é preciso observar a necessidade e intensidade de tudo que ocorre, e como isso pode nos elevar um milímetro que seja.

Entendendo que a alma empreende uma eterna jornada em busca de aprimoramento, não somos quem acreditamos ser. Devemos nos olhar com olhos de verdade e piedade. Assim compreendendo que somos limitados e não evoluídos. Que muito se precisa silenciar a fim de ouvir o que habita em nosso ser.

A longa caminhada que trilhamos nos permitiu carregar conosco aquilo que mais se assemelha à nosso estado de espírito, e por tempos levamos junto à nós julgando ser a "segunda pele". Entretanto, hoje temos a oportunidade de abstrair o que não faz parte da essência do ser, e assim lapidar a pedra bruta que somos.

Para que a lapidação seja eficaz é preciso saber esperar o tempo dos acontecimentos. Nenhum maquinário funciona sem a programação correta, e ainda assim, precisamos aguardar o findar do ciclo para novos ajustes.

Assim somos nós, seres humanos em processo constante de ajustes para melhor seguir. Ainda que não se perceba é preciso organizar a jornada e as prioridades, visando sempre a melhor experiência ao longo da jornada. 

E chegaremos tão mais harmoniosos ao nosso objetivo, que o simples chegar ao final não é tão significativo quando a caminhada até ele.

Um comentário:

  1. Uma importante reflexão sobre vivências e experimentos... Leitura muito oportuna e agradável pra mim. Do início ao fim. Obrigada!

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião!