18 de janeiro de 2018

O Lótus do Ser



Todas as criações divinas buscam uma forma de nascer, crescer, multiplicar e fenecer, dada ser essa a lei universal que as possibilitou existir. Nenhum Ser é insignificante ao misterioso plano maior ao qual todos estão sujeitos, ainda que não se possa ler as letras miúdas.

Cada desabrochar, cada gota que cai, a cada partida, e a cada abrir de olhos há o processamento de um equilíbrio que a percepção não consegue mensurar. Muitos mitos, histórias e avatares são enviados a fim de demonstrar que é possível escolher, porém também há que se responsabilizar pelas escolhas efetuadas. Ainda que se fuja de quaisquer viés religioso ou científico, estamos, indubitavelmente, atados aos liames morais, traduzidos e explicitados pelo viés filosófico, pois somente esse nos coloca diante de nós mesmos.

O confronto possibilita quebra de paradigmas, e a construção de um novo Ser. Aquele com consciência, não somente do mundo que habita, mas da determinação de seu papel ante à realidade que vivência. Entende-se que o confrontar não mais é de ideias e conceitos, porém, é de sentimentos. Esses que não se restringem as relações com o outro, mas consigo. Com o olhar-se, o compreender-se, e enfim o apaziguar-se.

Um confronto semelhante é empreendido pelo lótus, posto a germinar no lodo. Pela rápida observação, lá nada poderia nascer, visto ser feio, fétido e impróprio para habitação. Entretanto, a ciência nos traz à luz, que a degradação dos dejetos ali depositados tornam-se o adubo necessário ao florescimento da mais linda flor.

O esforço desse vegetal para florescer serve-nos de exemplo. E pode-se compreender que resiliência, mais que se adaptar, é aproveitar qualquer condição na qual se encontra, e lá tornar-se melhor.

Todas as manhãs o lótus exibe sua exuberante flor. Essa que floresce das profundezas do seu Ser, sem demonstrar o processo que a tornou quem é. Ainda que seja de conhecimento público as condições de sua habitação, todos ovacionam sua delicada e estonteante beleza.

Francy Rocha

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